Mulheres negras: 80% das empreendedoras não têm reserva financeira

Atualizado: Abr 14

O receio de perder o emprego e ficar sem renda é o maior medo das profissionais que trabalham para empresas nacionais e multinacionais. A crise atual escancara as desigualdades sociais do Brasil e exige eficiência na distribuição de recursos e crédito


Esta semana participei como mediadora de um bate-papo on-line para discutir os impactos da crise do novo coronavírus nos pequenos negócios e como os empresários podem ser adaptar para sobreviver. Saí da live realmente agradecida por ser privilegiada: ter um lugar pra morar com supermercado e farmácia próximos, ter um salário para me sustentar, um trabalho para me ocupar, uma geladeira cheia, reserva de emergência em títulos públicos para caso algo dê errado e família/amigos presentes, ainda que virtualmente. A conclusão do papo foi o de que ter fonte de renda e reserva de dinheiro nunca foi tão vital, literalmente.


Apesar de saber que a minha realidade é a de uma minoria no Brasil, isso ficou ainda mais claro quando vi uma pesquisa divulgada na quinta-feira (09) pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), organização que busca acelerar a promoção da igualdade racial no mercado de trabalho, em parceria com a Iniciativa Empresarial pela Igualdade, a Comunidade Empodera, Empregueafro e Faculdade Zumbi dos Palmares, o levantamento considerou a resposta de mais de 200 mulheres negras em 19 estados e Distrito Federal, empreendedoras e profissionais que trabalham para empresas brasileiras e multinacionais.


O objetivo era entender como elas estão lidando com o período de crise durante a pandemia da Covid-19.

Vamos aos resultados: Empreendedoras De acordo com a pesquisa, entre as empreendedoras negras, 79,4% não dispõem de reservas financeiras, enquanto 48% apontam que a principal necessidade é garantir recursos para manter o negócio ativo. Mais da metade (56%) delas afirmam ter custo mensal médio entre R$ 1 mil a R$ 5 mil, orçamento superior à ajuda oferecida pelo governo, de R$ 600, o "coronavoucher".

“Nossa observação é que, para empreendedoras, a ajuda mensal de R$ 600 oferecida pelo governo é insuficiente para a manutenção dos seus negócios, o que impacta diretamente na sustentabilidade do empreendimento e da sua subsistência pessoal. Isso contextualiza como, no momento atual, estamos no iminente risco de um colapso econômico que atinge de forma contundente essa população específica”, destaca a conclusão da pesquisa.


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Por Naiara Bertão. Reporter do Valor Investe