23 cientistas brasileiros que você precisa conhecer

Você sabia que os melhores tratamentos para hanseníase, catarata e câncer foram criados e aprimorados por pesquisadoras negras?


Fonte: Larissa Lopes, Revista Galileu


A ciência não está imune à desigualdade social e ao preconceito: apesar do papel de destaque que pesquisadores negros desempenharam nos últimos séculos, essa parcela da população ainda se vê sub-representada nos espaços acadêmicos.


Uma das principais instituições de ensino superior do país, a Universidade de São Paulo (USP) tem apenas 129 professores que se declaram negros — cerca de 2,2% do total de docentes. Entre os estudantes, a porcentagem também é baixa: em 2017, apenas 4% dos calouros eram negros.


Além das ações afirmativas, para reverter esse quadro também é necessário valorizar a cultura e o papel dos negros na produção de conhecimento: por isso, conheça 23 pesquisadores que enfrentaram o racismo e entraram para a história da ciência. 


1 - Alfred Oscar Coffin (1861 - 1933)

Coffin foi professor de matemática e língua românica da Universidade Wiley, no estado norte-americano do Texas. Formou-se e concluiu o mestrado na Universidade Fisk, uma instituição de ensino historicamente negra do Tennessee, e, em 1889, tornou-se o primeiro afro-americano a obter um doutorado em biologia — pela Illinois Wesleyan University.


2 - George Washington Carver (1864 - 1943)

Filho de escravos, Caver foi separado de sua família após um sequestro e, então, foi criado pelo casal que havia comprado seus pais. No Mississippi, teve dificuldades para encontrar uma escola que aceitasse alunos negros. Aos 13 anos, se mudou para o Texas para viver com uma família adotiva e continuar os estudos.

A primeira universidade a aceitar Carver foi a Highland University, que o rejeitou logo após descobriu que o aluno era negro. Mais tarde, foi aprovado a Universidade Estadual de Iowa, onde desenvolveu estudos sobre agricultura. O agrônomo queria promover plantações alternativas ao algodão nos EUA, como a de amendoim e batata-doce, para que fazendeiros pobres tivessem uma produção mais sustentável. Seu trabalho recebeu diversas honrarias.


3 - Ernest Everett Just (1883 - 1941)

Just foi o zoólogo norte-americano responsável por reconhecer o papel fundamental da superfície celular no desenvolvimento dos organismos. Desenvolveu pesquisas nos Estados Unidos, Itália, Alemanha e França.


4 - St. Elmo Brady (1884 - 1966)

Primeiro homem negro a conquistar um título de PhD em Química nos EUA. Atuou como professor universitário por décadas e ajudou a captar recursos para universidades historicamente negras.


5 - Alice Ball (1892 - 1916)

Além de ser a primeira mulher a se formar na Universidade do Havaí, Alice criou, aos 23 anos, o método Ball, um tratamento químico que ajudou a curar a lepra e aliviou a vida de centenas de pessoas, que não foram mais obrigadas a se exilar de suas famílias.

Ball morreu aos 24 anos, provavelmente por ter inalado gás clorídrico no laboratório. Em todo ano bissexto, no dia 29 de fevereiro, comemora-se o Alice Ball Day no Havaí.


6 - Léopold Sédar Senghor (1906 - 2001)

O pensador senegalês foi o primeiro africano formado pela Universidade de Sorbonne, em Paris. Desenvolveu o conceito de negritude e um movimento literário que exaltava a identidade negra, lamentando o impacto que a cultura europeia teve nas tradições do continente. Em 1960, logo após a independência do Senegal, foi eleito presidente, cargo que ocupou até 1980. Conheça mais sobre o trabalho de Senghor e de outros pensadores africanos contemporâneos.


7 - Kenneth Clark (1914 - 2005)

Foi a primeira pessoa negra a concluir o doutorado na Universidade Columbia. Junto com a sua esposa, Mammie Phipps Clark, criou o "experimento da boneca", que escancarou o racismo existente desde a infância.


8 - Mammie Phipps Clark (1917 - 1983)

A psicóloga e ativista de direitos civis foi a segunda pessoa afro-americana a se tornar doutora pela Universidade Columbia. Mammie provou como a segregação racial prejudica as crianças através do experimento desenvolvido com seu marido e de testes com lápis de cor. Mammie foi diretora do Centro de Northside para o Desenvolvimento Infantil entre os anos 1946 e 1979, quando se aposentou.


9 - Katherine Johnson (1918 - )